Este amor

setembro 18, 2008 às 12:53 am | Publicado em 1 | Deixe um comentário
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Se alguém pudesse ser um siboney 
Boiando à flor do sol 
Se alguém, seu arquipélago, seu rei 
Seu golfo e seu farol 
Captasse a cor das cores da razão do sal da vida 
Talvez chegasse a ler o que este amor tem como lei 
 
Se alguém, judeu, iorubá, nissei, bundo, 
Rei na diáspora 
Abrisse as suas asas sobre o mundo 
Sem ter nem precisar 
E o mundo abrisse já, por sua vez, 
Asas e pétalas
 
Não é bem, talvez, em flor 
Que se desvela o que este amor
Nem mel, nem mentira, 
(...) Carne da palavra, carne do silêncio, 
Minha paz e minha ira 
 
Se alguém, cantasse mais do que ninguém 
Do que o silêncio e o grito 
Mais íntimo e remoto, perto além 
Mais feio e mais bonito 
 
Se alguém pudesse erguer o seu Gilgal em Bethania... 
Que anjo exterminador tem como guia o deste amor?
Se alguém, nalgum bolero, nalgum som 
Perdesse a máscara 
E achasse verdadeiro e muito bom 
O que não passará 
 
Dindinha lua brilharia mais no céu da ilha 
E a luz da maravilha 
E a luz do amor 
Sobre este amor

 a letra é pra Dedé, a musa-mor de Caetano, mas poderia ser pra Thum..

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Vamos repor as pedras portuguesas. Por Caetano Veloso

agosto 17, 2008 às 5:33 pm | Publicado em 1 | 2 Comentários
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O prefeito de Salvador cometeu um crime ao substituir a calçada portuguesa do Porto da Barra por cimento e granito polido. Aliás, está cometendo. Obra em preogresso. Estamos em posição de apanhá-lo em flagrante e impedir o assassinato. O estilo cafona deve ser semelhante ao do que foi feito na Praça da Sé pelo governo municipal anterior. E o prefeito então era Imabssahy, que é, até segunda ordem, meu candidato para as eleições que vêm aí. Mas a Praça da Sé era, havia muito, um lugar destruído. Talvez tivesse sido desmoralizada quando se derrubou a Sé para facilitar o trânsito dos bondes, bem antes de eu nascer. O que ficou tinha se transformado num terminal de linhas de ônibus muito feio.

A arrumação luzidia que Imbassahy admitiu que lhe dessem é vulgar e perua, mas sobressai a impressão de que alguém limpou a sala. Foi uma madame tola e inculta, mas cuidou. No Porto da Barra, pode ser que qualquer trato dê a impressão de ser melhor do que nada a algum comerciante austríaco que tenha um barzinho lá. Mas o Porto da Barra é um ponto nobre do urbanismo de Salvador. Precisa ser cuidado. Jamais desfigurado. A calçada portuguesa é tesouro nosso, de povos que falam português: são parte de nossa estrutura anímica. Em São Luís se mostrou que a recuperação de calçamentos com pedras portuguesas (que não precisam ser portuguesas, como o desvisado prefeito chegou a julgar) pode ser feito com firmeza e precisão. No Rossio, em Lisboa, também. Sei que em Copacabana (não na praia, claro, porque aí até a Dysney ia protestar) mas na Nossa Senhora) fez-se algo parecido. Resolveram atribuir ao tipo de calçamento os desconfortos que advêm de descuido e maus tratos. Rua com chão que parece shopping center também esburaca se não se não há cuidado. O Porto da Barra é uma enseada pequena e parece um anfiteatro perfeito para se ver o pôr do sol, ladeada pelos fortes de Santa Maria e de São Diogo.

A balaustrada e as pedras portuguesas (ensombradas por árvores) complementam o equlíbrio estético de um lugar que é a praia do povo da Bahia. Um luxo cool e popular. Pois o prefeito está retirando as pedras portuguesas e já derrubou oito árvores! No dia em que morreu Dorival Caymmi, protesto (e conclamo baianos natos e opcionais a protestarem) contra essa ação estúpida. Vamos repor as pedras portuguesas.

A dica veio do maior blogueiro da Bahia: Marcus Gusmão

Veja íntegra no blog de CATITO: OBRA EM PRGRESSO

 

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