Vamos repor as pedras portuguesas. Por Caetano Veloso

agosto 17, 2008 às 5:33 pm | Publicado em 1 | 2 Comentários
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O prefeito de Salvador cometeu um crime ao substituir a calçada portuguesa do Porto da Barra por cimento e granito polido. Aliás, está cometendo. Obra em preogresso. Estamos em posição de apanhá-lo em flagrante e impedir o assassinato. O estilo cafona deve ser semelhante ao do que foi feito na Praça da Sé pelo governo municipal anterior. E o prefeito então era Imabssahy, que é, até segunda ordem, meu candidato para as eleições que vêm aí. Mas a Praça da Sé era, havia muito, um lugar destruído. Talvez tivesse sido desmoralizada quando se derrubou a Sé para facilitar o trânsito dos bondes, bem antes de eu nascer. O que ficou tinha se transformado num terminal de linhas de ônibus muito feio.

A arrumação luzidia que Imbassahy admitiu que lhe dessem é vulgar e perua, mas sobressai a impressão de que alguém limpou a sala. Foi uma madame tola e inculta, mas cuidou. No Porto da Barra, pode ser que qualquer trato dê a impressão de ser melhor do que nada a algum comerciante austríaco que tenha um barzinho lá. Mas o Porto da Barra é um ponto nobre do urbanismo de Salvador. Precisa ser cuidado. Jamais desfigurado. A calçada portuguesa é tesouro nosso, de povos que falam português: são parte de nossa estrutura anímica. Em São Luís se mostrou que a recuperação de calçamentos com pedras portuguesas (que não precisam ser portuguesas, como o desvisado prefeito chegou a julgar) pode ser feito com firmeza e precisão. No Rossio, em Lisboa, também. Sei que em Copacabana (não na praia, claro, porque aí até a Dysney ia protestar) mas na Nossa Senhora) fez-se algo parecido. Resolveram atribuir ao tipo de calçamento os desconfortos que advêm de descuido e maus tratos. Rua com chão que parece shopping center também esburaca se não se não há cuidado. O Porto da Barra é uma enseada pequena e parece um anfiteatro perfeito para se ver o pôr do sol, ladeada pelos fortes de Santa Maria e de São Diogo.

A balaustrada e as pedras portuguesas (ensombradas por árvores) complementam o equlíbrio estético de um lugar que é a praia do povo da Bahia. Um luxo cool e popular. Pois o prefeito está retirando as pedras portuguesas e já derrubou oito árvores! No dia em que morreu Dorival Caymmi, protesto (e conclamo baianos natos e opcionais a protestarem) contra essa ação estúpida. Vamos repor as pedras portuguesas.

A dica veio do maior blogueiro da Bahia: Marcus Gusmão

Veja íntegra no blog de CATITO: OBRA EM PRGRESSO

 

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2 Comentários »

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  1. Pois eu sou a favor do granito na Barra! Só quem nunca usou um sapato escarpin pode ser a favor de passeio de pedras portuguesas. Aliás, para os cadeirantes esse tipo de passeio não é nada prático. Viva o passeio de granito lisinho e inclusivo (das putas aos cadeirantes passando pelas patricinhas e dondocas)
    Estou até pensando em dar uma sugestão ao prefeito: mandar azulejar a praia… Areia num tá com nada! “Se essa praia se essa praia fosse minha, eu mandava eu mandava azulejarrrrr”

  2. Odeio pedra portuguesa, é sujo, é difícil de limpar, acaba com o salto da mulheres e na hora de fazer obra sempre fica mal feito. Acabemos com esta herança colonial muitíssimo pouco urbana!!!


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